Rainyday


Sorrisos...

Falando ao telefone... sobre minha alegria, meus incessantes sorrisos, lembro-me de que sempre fui assim...

Eu devia ter seis anos naquela época, onde num certo dia, meu tio Márcio resolveu levar-me ao circo. Apontou com um de seus dedos um palhaço que me fizera gargalhar. “- Pense nesse palhaço quando escolher as pessoas para ter ao seu lado. Amigos, namoradas. É vital ter por perto pessoas que sorriam e nos façam sorrir.” E então reflito sobre os relacionamentos amorosos. Eles são tão mais leves, tão mais gostosos quando temos conosco alguém que traga a luz exuberante dos sorrisos genuínos. (Digo genuínos porque não existe nada pior que o sorriso hipócrita e fabricado, como o dos apresentadores de televisão.) E os relacionamentos podem ser um tormento quando quem está ao nosso lado não sabe rir. O ideal é termos uma(um) palhaça(o) como “ficante”, namorada(o), cônjuge, enfim, o que for.

O sorriso é uma atitude. Mostra, quase sempre, um espírito superior, de gente capaz de lidar, com dignidade e bravura, com as inevitáveis adversidades da vida. (Jamais vi uma foto do Dalai Lama em que ele não aparecesse sorrindo.) Assim como o rosto fechado e sombrio quase sempre é sinônimo de pessoas tomadas pela síndrome da vítima, a compulsão de pôr a culpa de nossas tristezas nos outros, no mundo, a evasão descarada de responsabilidade. É aquela história: tudo me persegue. Ninguém me compreende. O planeta foi criado para me fazer chorar...

O sorriso é, repito, uma atitude. E também uma virtude. Como toda virtude, tem que ser cultivado. São absolutamente excepcionais as pessoas cuja alma já nasce sorridente, mas, para nós, os chamamos normais, sorrir para vida é fruto de um esforço cotidiano, um treinamento incessante para não ver os fatos sob ângulos negativos.

Cercar-me de palhaços foi o conselho que tio Márcio me deu há muitos anos. Nem sempre fui bem sucedido. Ou nem sempre dei a devida atenção a esse conselho. Quando o ignorei, me dei mal. Sofri e levei sofrimento. E aqui cometo a ousadia de fazer um acréscimo à frase de tio Márcio. Não basta a gente se cercar de palhaços. É preciso que sejamos palhaços também. Receber risadas é bonito. Mais bonito ainda é dá-las.

Um romance saudável tem a estridência irresistível e espontânea das gargalhadas. Pode acontecer que um dos dois tenha se esquecido de como dar risadas. Então vale a pena o esforço de relembrar ou até mesmo, o de aprender, para quem ainda não aprendeu.

...sempre acreditei que o propósito da vida, é a felicidade.



Escrito por Diego Goulart às 18h17
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Aviso aos Navegantes...

Asneiras, idiotices, são vitais para felicidade.

Chatice esse negócio de ser uma pessoa séria, profunda, visceral... Putz, coisa pentelha. A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado do Schopenhauer? Acho que a pungência, a seriedade, deve ficar para as horas em que são inevitáveis: mortes, dores, perdas, separações. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, sejamos idiotas. Ria dos próprios defeitos, tire sarro das suas inabilidades.

Milhares de relacionamentos acabam-se todos os dias, não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela falta de idiotice. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselhos pra tudo, soluções sensatas, objetivos claramente traçados mas não consegue rir quando tropeça? Sim, porque é bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Em resumo: desaprenderam a brincar. Esqueça o que te falaram sobre crescer, ser um adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar o que sente. É muito não. Dá pra ser feliz com tanto não? Tenha fé em uma coisa: dá certo ser idiota, aliás, tudo fica mais fácil se for regado à idiotice, bom humor, enfim... Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. Disse certa vez: “e por que essa condenação de piada, como se a vida fosse só feita de momentos graves ou só nesses houvesse teor poético?” Estava certo.

Todos nós, devemos sim, contar piadas, ir ao fliperama, beliscar a bunda da namorada, da mãe, sair pelados pela casa, sei lá... A gente não pode é perder os prazeres da vida. Faça um teste... Uma semaninha pra começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que são: passageiras. A briga, o problema, a dor, a raiva, tudo vai passar, então pra que tanta gravidade? Já fez tudo o que podia? Parou, chorou, pediu socorro? Ótimo, hora da idiotice: entre na Internet, jogue Pembolim, coma feijão com macarrão. Tá numas de escalar a árvore do seu jardim, chupar carambola? Vá. Quer conversar com sua namorada(o) imitando o Pato Donald mas acha muito tosco? E é, mas e daí? Você acha mesmo que ela(e) vai gostar menos de você por isso? Ela(e) não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, porque é delicioso estarmos com alguém que sorri e ri de si mesmo. Às vezes fico chateado ao ver que algumas pessoas não conseguem ser tão idiotas como gostariam... Na verdade, às vezes eu também não consigo e acabo caindo, mesmo sem querer, em minha ingênua e passageira seriedade, onde o mundo fica cinza e cada lágrima ganha o peso de uma bigorna. Nessas horas não são precisos cenhos franzidos de preocupação. Nessas horas tudo o que preciso é de uma bela, grande e impagável idiotice. Como chutar bola na parede do vizinho no fundo do quintal, sair pra empinar pipa, ou melhor ainda, me olhar fixamente no espelho até notar como fico feio com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo. Como fico ridículo quando esqueço que tudo passa.                       



Escrito por Diego Goulart às 01h35
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Retrospecto Nº 2

Por qual motivo específico direcionamos todo o nosso amor à uma só pessoa? Não sei de onde vem essa tradição. Talvez seja cósmica. Aliás, como tudo que existe na Terra. Mas suponho que o amor por uma só pessoa, seja um dado histórico, cultural. Romeu e Julieta. Um corpo só, duas pessoas. Um morre sem o outro. Eis um dos arquétipos do que chamamos de amor. Existem dezenas, centenas de outros, mas a base da maioria deles é sempre o apego. A idéia alucinada e vertiginosa de que sem aquela pessoa sua vida não tem sentido. É cruel, mas é nisso que nascemos acreditando.

O apego, ou seja, a falsa idéia de que possuímos algo ou alguém, é, sem dúvida, a causa de um tremendo sofrimento que ha tempos vem atormentando a humanidade. Quando as luzes se apagam (e não tenho dúvidas, elas se apagam para todos nós), todas as nossas posses e bens materiais somem na escuridão. Cercas, contas bancárias, pessoas, elefantes de circo. Não fica pedra sobre pedra. O amor está sempre começando e acabando. Como as ondas no mar. Como as nuvens no céu. Porque em tudo e em todos os lugares a impermanência reina absoluta.

Ignorá-la é o mesmo que sofrer.



Escrito por Diego Goulart às 00h52
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Retrospecto Nº 1

Como num passe de mágica, tudo o que desejamos pode se tornar realidade. A alegria de acordar com alguém e observar seu rosto mesmo com marcas de travesseiro. A vontade de que o final de semana se anuncie logo e as horas juntos se multipliquem. A dor de estomago que dá só de pensar em viver sem o sorriso acolhedor e as pequenas trapalhadas.

Finalmente temos certeza de que tudo isso pode ser nosso.

É impossível não ficar bobo alegre. A vida que levamos até então pode ter sido boa, mas nada comparada a descoberta do amor que sempre acreditamos existir. Mesmo quando fingimos não acreditar. Ficamos inebriados e, nesse atordoamento, prestamos atenção demais em nossos delírios e cometemos um erro gigante: Paramos de prestar atenção na pessoa amada. Sem querer. É como bicho de estimação. Enchemos de mimos e cuidados nas primeiras semanas, mas, com o tempo, ele faz tão parte de nossa vida que não nos damos mais conta de sua real importância e diminuímos, sem notar, a atenção e o carinho. Descuidamos. E é aí que acontece... Simplesmente ela nos deixa. Ou uma outra pessoa qualquer passa por nós e como se nada fosse, a tira de nossas mãos. Quando notamos, a perdemos.

E como dói lembrar como era bom. Ou poderia ter sido.



Escrito por Diego Goulart às 00h48
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